quinta-feira, 25 de novembro de 2010

MusA apresenta "A Sensibilidade da Abstração"

A abertura acontece hoje, 25 de novembro, às 19h00



"Fernando Velloso e Domicio Pedroso não são artistas abstratos no sentido estrito do termo, mas abstratizantes, construindo uma nova “realidade” com estruturas oníricas ou estruturas paisagísticas, dando sentido à “abstração expressiva” de Kandinsky, grande impulsionador há exatamente 100 anos das correntes abstracionistas mencionadas."
- José Carlos Cifuentes
Professor de Matemática e de Filosofia da Matemática da UFPR, novembro de 2010


A Universidade Federal do Paraná, através da mais nova exposição do MusA - Museu de Arte da UFPR, presta homenagem ao trabalho pioneiro de Fernando Velloso e Domicio Pedroso em seus 80 anos no âmbito da arte e da cultura no Estado do Paraná na em "A Sensibilidade da Abstração" de 25 de novembro de 2010 a 20 de abril de 2011.

Fernando Pernetta Velloso (Curitiba, 09 de agosto de 1930) e Carlos Domicio Moreira Pedroso (Curitiba, 28 de dezembro de 1930), duas trajetórias paralelas na arte e na cultura do nosso Estado do Paraná. Ambos nascidos em Curitiba e atuantes nesta cidade. Recebem seus ensinamentos iniciais com Guido Viaro e formam-se na 1ª turma de pintura da recém criada EMBAP (1948-1952). Também ingressam na Universidade Federal do Paraná, Velloso no Curso de Direito formando-se em 1955, e Pedroso no Curso de Engenharia permanecendo por três anos. Posteriormente realizam estudos em Paris: Velloso, no ateliê do mestre cubista André Lhote (1959-1961), e Pedroso no Centre Audio Visuel de Saint Cloud (1959-1962), diplomando-se em técnicas audiovisuais e de comunicação.
Na sua volta em Curitiba, ambos porão em prática seu aprendizado participando ativamente dos Salões Paranaenses, sendo premiados em diversas oportunidades, e da vida cultural da cidade.

Em 1963, Pedroso organiza o Centro Audiovisual para a Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Paraná ocupando o cargo de Diretor; Velloso idealiza e propõe a criação do MAC-PR (1970) sendo seu primeiro Diretor no período de 1970 a 1984, ocupando também outros cargos de Direção nas Secretarias de Estado da Cultura e da Justiça do Paraná em diversos períodos; Pedroso organiza, a partir de 1973, o Salão de Exposições do BADEP permanecendo por 10 anos como programador e curador das exposições desse salão, também assume, em 1981, o cargo de Coordenador do Escritório Regional da FUNARTE em Curitiba.

Nas artes visuais, Fernando Velloso e Domicio Pedroso, junto a outros artistas do Paraná, alguns deles participantes desta mostra, contribuíram ao desenvolvimento, no nosso Estado, de uma tendência abstratizante cuja diversidade é o fio condutor desta exposição.

Na arte, a partir de Kandinsky, o abstrato manifesta-se de dois modos diferentes: o abstrato que resulta de um processo de abstração a partir do concreto, e o abstrato que nasce abstrato, isto é, ele é seu próprio concreto. Desses dois tipos de abstrato nascem, no século XX, duas correntes do chamado “abstracionismo”: o abstracionismo geométrico, de onde decorrem na arte brasileira o concretismo e o neo-concretisnmo, tendo como suporte o abstrato que não é obtido por abstração, e o abstracionismo informal ou lírico, tendência que, desorganizando e fragmentando as formas, as recompõe na busca de novas formas de expressão.

A arte abstratizante não é uma das vertentes do abstracionismo, ela em certa forma as precede tendo suas origens no expressionismo, no cubo-futurismo e no surrealismo. Na arte abstratizante, não há simplificação da figura, antes há a emergência da estrutura, da forma, pondo em relevo as relações mais do que os objetos. Para Carlos Leite Brandão, “Abstrair significa, segundo Mondrian, encontrar a imagem exata e matemática das relações que se encontram veladas na percepção imediata do real. [...] Nessa busca, o universal emerge e faz desaparecer o particular”.

São, então, as relações que, na arte abstratizante, fazem emergir as figuras num processo de construção, e esse figurativismo aparente não tem uma intencionalidade a priori. No Paraná, a arte abstratizante manifesta-se a partir de meados da década de 1950, encontrando-se com as vertentes abstracionistas de caráter informal, em parte divulgadas pelas Bienais de São Paulo, nas décadas de 60 e 70. O concretismo, no Paraná, manifesta-se tardiamente em confluência com outras correntes mais contemporâneas como o conceitual, etc.
Fernando Velloso e Domicio Pedroso não são artistas abstratos no sentido estrito do termo, mas abstratizantes, construindo uma nova “realidade” com estruturas oníricas ou estruturas paisagísticas, dando sentido à “abstração expressiva” de Kandinsky, grande impulsionador há exatamente 100 anos das correntes abstracionistas mencionadas.

A Universidade Federal do Paraná, através desta exposição, quer reconhecer o trabalho pioneiro de Fernando Velloso e Domicio Pedroso no âmbito da arte e da cultura no Estado do Paraná.
Esta exposição visa, então,

a) Homenagear os artistas paranaenses Fernando Velloso e Domicio Pedroso pelos seus 80 anos.
b) Pôr em evidência, através de estudos e obras preliminares dos artistas homenageados, o aspecto evolutivo de sua arte, salientando sua contribuição à tendência abstratizante da arte no Paraná.
c) Mostrar, também, através de documentos, uma panorâmica das diversas atividades dos homenageados em prol da cultura no Estado do Paraná.
d) Também, comemorar os 100 anos da primeira obra abstrata da arte ocidental devida a Kandinsky, explicitando o posterior desenvolvimento das diversas tendências abstracionistas e abstratizantes, colocando-as em diálogo com a arte paranaense num período de 25 anos, compreendido entre meados dos anos 50 e finais dos anos 70 do século XX.
e) Comemorar os 40 anos do MAC-PR, parceiro nesta exposição, cujo idealizador e primeiro diretor foi o artista Fernando Velloso, e contribuir com as comemorações rumo aos 100 anos da UFPR (2012), destacando os 50 anos da APUFPR (2010), pondo em relevo a contribuição da Universidade ao surgimento das vanguardas em Curitiba e no Paraná, no período em consideração.

Os primeiros anos 60 constituem um período de muita efervescência no desenvolvimento tecnológico e cultural de Curitiba, estando a UFPR no centro desse empreendimento. Em 1961, sob a condução do Reitor Flávio Suplicy de Lacerda (Reitor nos períodos de 1949-1964 e 1967-1971, e Ministro de Educação no período 1964-1966), inaugura-se o Centro Politécnico, criando-se, na seqüência, o Curso de Arquitetura e Urbanismo que, com sua tendência modernista, impulsionara o atual desenvolvimento urbanístico de Curitiba. Seria necessário destacar diversos professores e ex-alunos da UFPR de grande renome por suas contribuições ao desenvolvimento cultural e educacional de Curitiba. Especial destaque para esta exposição, no contexto das homenagens da APUFPR, será dado a Euro Brandão (1924-2000) quem fora, além de artista plástico, colaborador da revista Joaquim em finais da década de 40, membro da Academia Paranaense de Letras, professor titular da UFPR, Ministro de Educação e Cultura no período de 1978-79 e Reitor da PUC-PR no período de 1986-1997.

Texto: José Carlos Cifuentes
Professor de Matemática e de Filosofia da Matemática da UFPR

Novembro de 2010


Agradecimentos:

Fernando Velloso, Domicio Pedroso, Alcy Xavier, Ennio Marques , Ferreira, Fernando Calderari, Ida Hannemann de Campos, Renato Pedroso, Alfi Vivern
Fernando Bini, Ana Maria Liblik, Rolando Santos Carlos, MAC-PR, Solar do Rosário,
PROEC-UFPR, APUFPR,


Serviço:

Exposição "A Sensibilidade da Abstração"
Artistas participantes: Fernando Velloso, Domicio Pedroso, Alcy Xavier, Antonio Arney, Arcângelo Ianelli, Ennio Marques Ferreira, Érico da Silva, Euro Brandão, Fernando Calderari, Francisco Stockinger, Helena Wong, Ida Hannemann de Campos, Jefferson César, João Osorio Brzezinski, Loio Pérsio, Mário Rubinski, Renato Pedroso, Thomas Wartelsteiner, Violeta Franco, Werner Jehring.
Alfonso Luis Bianchi Vivern (Alfi Vivern)
Diretor do Museu de Arte Contemporânea do Paraná
Pesquisa e Organização: José Carlos Cifuentes
Parceria: MAC-PR/40 anos
Apoio: PROEC-UFPR e APUFPR/50 anos
Período: 25 de novembro a 04 de abril de 2011, de segunda a sexta, das 09h00 às 18h00 e sábados, das 09h00 às 13h00.
Local: Museu de Arte da UFPR – MusA
Prédio Histórico da UFPR – Praça Santos Andrade
Entrada pela Rua XV de Novembro, 695 no 1º andar
Informações: (41)3310-2603
ENTRADA GRATUITA


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