segunda-feira, 12 de julho de 2010

Os funkeiros do Voa Voa

Lia de Itamaracá e os grupos Voa Voa e Mundaréu realizam show de abertura do 20º Festival

O ano era 1996. O Voa Voa iria nascer, durante o Festival. O percussionista Pedro Solak ensinava baque virado e, num dia de sol, decidiu tirar os alunos da sala para um espaço aberto. Era quarta, ou quinta-feira, e ele tinha composto um funk, para tocar com os alunos. Comandava as mudanças de ritmo com números de um a cinco, sinalizados com os dedos. Não sabia como sinalizar a mudança para o recém-composto funk. Perguntou aos alunos:
“Pessoal, que sinal uso para marcar a mudança para o funk”.
Neste momento, uma revoada de mais de 200 pássaros chamou a atenção de todos. Um aluno disse:
“Voa”. Era o sinal do funk. Para não confundir com o número dois, Pedro combinou usar dois “Vs” feitos com dedo. O sinal do funk seria, então, “voa voa”. Na sexta, o grupo ia sair para a rua, de noite, e não tinha nome para colocar no estandarte. Solução: Voa Voa.
No sábado, o Voa Voa foi tocar na Ponta da Pita. O mestre, virado para o mar, vê um pescador, no horizonte, ensandecido, batendo o remo no mar. Quando o batuque para, todos ouvem os gritos do homem:
“Maracatu, maracatu”.
O som chegava longe. Um bêbado já havia dito:
“Maluco, o som bate nas montanhas e volta”.
Outro pescador ouvira, do trapiche, o som que vinha da Pita. O vento carregava o batuque do Voa Voa. Este dia virou outra composição:

“Eu estava olhando o horizonte,
“Quando, do alto, o tambor me chamou,
“Virando na força e na graça,
“Nas asas do vento eu levo o meu som.”
O grupo continuou em Curitiba. Não tinha quase nada no início, mas tinha um nome: "Voa Voa".

Confira a programação completa do 20º Festival de Inverno em Antonina!

Nenhum comentário: