terça-feira, 13 de julho de 2010

O ilustre e o desconhecido

Foto: Gilson Camargo
Causos fantásticos e outros nem tão fantáticos permeiam Antonina. Na sua 9a edição, o festival recebeu duas grandes personalidades: uma conhecida e outra desconhecida. O conhecido era o ator Luís Melo, que ministrou a oficina “O processo de criação”.
Curitibano, Luís Melo espelhava o orgulho paranaense devido ao sucesso de seus personagens nas novelas da Globo. Não à toa a tietagem lhe era pesada: mal podia sair às ruas sem que um fã o abordasse em busca do sagrado autógrafo.

Numa das noites do Festival, Luís Melo quis assitir a um dos espetáculos do palco principal. Havia um pequeno problema: os fãs. Mas havia também uma solução. Lucia Mion, a Lucinha, organizadora do Festival, convocou o time da Educação Física, que trabalhava na recração com as crianças, para montar algo como um cordão humano ao redor de Melo. Ajudaria tanto a ocultar a personalidade e como evitaria que ele fosse prensado na massa de gente antoninense.

Deu certo, até que descobriram que Luís Melo estava no meio do povo e aí nenhum cordão adiantou. Os fãs cercaram o ator querendo uma foto, um autográfo ou ao menos tocar na sua sagrada persona.

Houve pânico. Não aquele de gentes ensandecidas correndo em desespero, mas um contido temor na face de Melo, em apuros com a cercania de fãs. E se houve pânico, houve um herói. Um dos monitores da Educação Física cochichou ao ouvido de Melo, que dissimulou e entrou na onda.
De repente, Melo olha fixo a esse monitor e exclama:

“Sapo! Você por aqui”, e com os olhos já quase em lágrimas, completou: “Meu sonho era te conhecer. Eu sou muito seu fã”.
Sapo manteve a altivez, agradeceu-lhe com um ligeiro aceno.
“Cara, eu quero muito um autógrafo seu”, pediu emocionado Melo.
Sapo consentiu.
“Claro, por favor qual o seu nome?”

E Sapo cerimoniosamente escreveu-lhe a dedicatória e o autógrafo. Melo, ao receber, com os olhos brilhando feito criança, beijou o autógrafo e disse:
“Estou muito, muito feliz de ter te conhecido pessoalmente”.

As pessoas vendo aquela personalidade maior, reverenciada por Melo, partiram lhe pedir autógrafo, deixando o ator de lado. Sapo, com a mesma cerimônia, distribuía autógrafos a todos, Melo, discretamente furou a horda e se retirou, à francesa. E Antonina ganhava assim sua ilustre personalidade desconhecida.

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