quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Concurso de Piano “Edna Habith”

Foto: Douglas Fróis / PROEC



Nos próximos dias 9 e 13 de setembro, a Orquestra Filarmônica da UFPR estará participando do VIIo. Concurso Nacional de Piano “Profa. Edna Bassetto Habith”. A convite da produtora do evento “Trento Comunicação Integrada”, a orquestra estará realizando os concertos de abertura e de encerramento do concurso apresentando como solistas os vencedores do concurso do ano passado. Os concertos acontecerão na Capela Sta. Maria, às 20:30hs., nos dias 9 e 13 e são abertos ao público interessado em geral.

Abertura dia 09/09/2009

Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1842)

Sinfonia nº 5 em Ré maior, Op. 107 “Reforma”

I – Andante – Allegro com Fouco

II – Allegro vivace

III – Andante

IV – Chorale: Ein ‘feste burg:Andante com moto – Allegro vivace


Concerto no. 1 em sol menor, op.25 (1832)

1º.mov. Molto allegro com fuoco

2º.mov. Andante

3º.mov. Presto; Molto allegro e vivace

Solista: Alexsander Ribeiro Lara

Orquestra Filarmônica da UFPR

Denise Mohr, regente


Saiba mais:

O Concerto no.1 em sol menor para piano, op.25, de Felix Mendelssohn-Bartholdy foi escrito entre 1830 e 31 e foi estreado em Munique em outubro de 1831, na mesma época que sua Sinfonia no.4 “Italiana”. Ele já tinha escrito um concerto para piano em lá menor, com acompanhamento somente de cordas em 1822 e, dois concertos para dois pianos, entre 1823 e 24. Os três movimentos do Concerto no. 1 estão interconectados e apresentam tonalidades distintas. Trata-se aqui uma obra de transição entre a época clássica e o período romântico já em voga naquela época. Esse concerto é cheio de seções improvisadas, o que era uma das especialidades do compositor, além de apresentar grandes desafios virtuosísticos para o solista. Neste ano em que também comemoramos o bi-centenário de nascimento de Mendelssohn, a Orquestra Filarmônica da UFPR vem destacando a obra do compositor no seu repertório.

A Sinfonia no.5 em ré menor, opus 107, “A Reforma”, de Felix Mendelssohn-Bartholdy foi escrita para as comemorações dos 300 anos da “Confissão de Augsburg”, em 1830. Na verdade, esta é a segunda sinfonia do compositor. A estréia desta obra está cercada de muitas controvérsias. Mendelssohn era de uma família judaica muito tradicional.
Felix Mendelssohn foi batizado luterano e isso era algo muito importante então, pois a época era de grande instabilidade política nos vários estados alemães, e um forte sentimento anti-semita já pairava sobre os ares. Em muitas regiões, ser alemão e ser luterano era praticamente a mesma coisa. Educado para ser um grande admirador da cultura alemã e, imbuído de um certo espírito nacionalista, Mendelssohn escreveu esta sinfonia com todo o entusiasmo de um jovem muito talentoso de pouco mais de 20 anos de idade.

Declarações da época, afirmam que o compositor tinha a capacidade de elaborar uma obra desse porte inteiramente na sua memória e depois, simplesmente escrevê-la de um fôlego só. A composição da obra começou no outono europeu de 1829 e foi terminada em abril de 1830. As comemorações da “Revolução da Igreja”, que era como os alemães se referiam à “Reforma Protestante”, estavam marcadas para junho daquele ano. Porém, a situação política vinha se deteriorando rapidamente em várias regiões da Europa e culmina com a chamada “Revolução de Julho”, em Paris.

Como num efeito dominó, as agitações chegam rapidamente às terras alemãs e as comemorações são canceladas, devida principalmente, à intensa oposição por parte da igreja católica às festividades. A Sinfonia no. 5 só foi estreada em Berlim, em novembro de 1832. Mas, os problemas não foram só políticos. A música de Mendelssohn soava muito moderna para a época e o compositor recém descobrira a música de J.S.Bach, com a qual se envolveu profundamente. O contraponto que aparece nas obras sacras de Bach foi cuidadosamente observado por Mendelssohn que os aplicou largamente na sua sinfonia. Isso fez com que a obra não só soasse muito grandiloquente, mas que demandasse muito dos músicos, que freqüentemente protestavam durante os ensaios. Alguns temas muito conhecidos do hinário luterano foram utilizados na sinfonia.

No primeiro movimento, o compositor introduz a melodia do “Amen de Dresden”, que Richard Wagner alguns anos mais tarde, também vai usar na sua ópera “Parsifal”. Os dois movimentos centrais seguem a estrutura formal das sinfonias da época que conduzem ao movimento de conclusão que é quase um ciclo de variações sobre o famoso hino “Ein feste Burg ist unser Gott!” (Uma poderosa fortaleza é o nosso Deus!), de autoria do próprio Lutero. A obra termina com uma reapresentação apoteótica do hino como numa afirmação absoluta de fé. Desde a época do compositor até o séc.XX, muitos o acusaram injustamente de oportunismo por ele ser de origem judaica, mas a importância de sua música, não somente a 5a. Sinfonia, foi enorme para o Romantismo alemão. Nesse ano em que comemoramos os 200 anos de seu nascimento, não resta a menor dúvida que Felix Mendelssohn-Bartholdy foi um dos pilares da música do séc.XIX e um dos maiores compositores alemães de todos os tempos.


Encerramento dia 13/09/2009

Henrique Oswald (1852 – 1931)

“Romance” para cordas


W.A.Mozart (1756-1791)

Concerto no. 21 em Dó maior, K.467

1º.mov. Allegro maestoso

2º.mov. Andante

3º.mov. Allegro vivace assai

Solista: Thiago Plaça Teixeira


Henrique Oswald foi um compositor brasileiro, filho de imigrantes europeus, que gozou de grande prestígio na sua época. Nascido no Rio de Janeiro em 1852, aprendeu as primeiras lições de música com a sua mãe. Passou a maior parte de sua vida na Europa, especialmente em Florença, Itália, para onde fora enviado pela família para que se desenvolvesse nos estudos musicais. Recebeu ajuda financeira de D.Pedro II enquanto freqüentava o conservatório. O compositor conviveu com as maiores personalidades da música de sua época, como Liszt e Brahms. Entre 1900 e 1903, acumulou o posto de cônsul-honorário do Brasil em Le Havre (França) e Florença (Itália).

Retornando definitivamente ao Brasil em 1903, substituiu Alberto Nepomuceno na direção do então Instituto Nacional de Música (atual Escola de Mus. da UFRJ). Como foi um exímio pianista, Oswald escreveu muito para o seu instrumento, além de ter escrito notável música de câmara para várias formações de cordas e piano, e ser o autor do primeiro concerto para piano e orquestra escrito por um compositor brasileiro.

Sua música tem um caráter intimista que o afasta de uma certa maneira do rótulo de compositor romântico, à maneira de Schumann ou Brahms. Sua linguagem musical apresenta um discurso instável que utiliza elementos já característicos do início do séc. XX, muito mais próxima de compositores pré-modernos franceses como Fauré e Debussy, do que de qualquer elemento germânico de origem wagneriana. O “Romance” para cordas, provavelmente escrito como uma obra para piano anteriormente, foi escrito em 1898 e apresenta essa escrita densa e introspectiva próxima da poesia simbolista que gozou de largo prestígio na sua época.

O Concerto no. 21 em Dó maior , K.467, de Wolfgang Amadeus Mozart é um dos mais conhecidos de todo o repertório. Foi composto em 1785, época em que Mozart estava no auge da fama. Apesar de essa obra ter muito em comum com várias outras da época, como os quintetos de cordas e as sinfonias no. 40 e 41, pouco se sabe sobre as circunstâncias nas quais foi escrita. É um dos mais refinados exemplos da literatura do denominado período clássico para instrumento solista e orquestra.

Neste ano em que lembramos os 50 anos do falecimento do maior de todos os compositores brasileiros, Heitor Villa-Lobos, a Orquestra Filarmônica da UFPR presta-lhe uma homenagem executando a Sinfonieta no.1, de 1916. Nesse mesmo ano, Villa-Lobos escreveu também a sua primeira sinfonia, além de várias outras obras para diversas formações instrumentais. Essa obra é subtitulada “Homenagem a Mozart”. Apesar da transparência da linguagem utilizada por ele na obra, praticamente nada se percebe de Mozart. O que se nota é que o compositor brasileiro tem uma personalidade muito própria, mas ainda carregada do espírito romântico francês.

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