quinta-feira, 16 de julho de 2009

Quem é Marcelo Chispita?

A lenda urbana das mensagens do misterioso personagem anunciadas nas noites do Festival de Inverno no palco principal em Antonina.

A mensagem é entregue todas as noites por baixo da fresta da cabine de som e sempre tem a mesma letra.

“Marcelo Chispita, sua mulher e filhos te aguardam na rodoviária.” Este recado foi dado no primeiro Festival de Inverno da Universidade Federal do Paraná e fez o povo de Antonina rir. Desde então a lenda se mantém viva. Todos os dias, misteriosamente, um bilhete chega às mãos de Rafael Pacheco, diretor de palco do Festival desde 1991. Estes bilhetes são chamados de “mensagens cifradas” e são lidos no encerramento da noite no palco principal.

Rafael Pacheco (foto ao lado), dirigente da Unidade de Dança da UFPR, é a voz do "Boa noite Antonina" e quem recebe as misteriosas mensagens.


As Mensagens Cifradas de Marcelo Chispita são propositalmente direcionadas ao povo de Antonina. Os termos e apelidos parecem desconexos para os visitantes, mas os antoninenses entendem e se divertem com os recados malucos e subjetivos. “São recados poéticos, indignados e engraçados, mas sempre relacionados a questões da cidade”, contou Pacheco. O clima é de dissimulação entre os moradores quando se trata de Chispita. Há um instinto de proteção do segredo entre os cidadãos.

“Mas não é o Pacheco?”, exclamou Rute Carvalho, a dona da banca de café da rua principal. Pacheco, no entanto, afirma categoricamente que as mensagens não são escritas por ele. Sua versão é que existe um grupo de moradores desconhecidos responsáveis por manter a tradição.

O envio dos recados surgiu como forma de manifestação do povo de Antonina. Em 2007, na noite de encerramento no Festival, uma figura surgiu em cima de um prédio ao som de fogos de artifício. Dizia ser o fantástico Marcelo Chispita. Contudo as dúvidas não foram respondidas e o mistério continua.

Ontem, como não poderia deixar de ser, um recado foi dado:

“Pois é meus amigos! Eu, como todo ser humano, e comum como um homem qualquer, tenho lá também minhas revoltas; não por vocês, ‘jamais’, e nem pelo festival, daquilo que oferece ou deixa a desejar. O festival sou eu, é você, somos nós. Mas sim pelos críticos que se assemelham ao bigode de ‘Epitácio’, ao gorro de ‘Marisa Bem-te-vi’ e aos óculos sem grau de ‘Luciano Curtição’. Eles giram-giram viram homem... giram-giram viram lobisomem. Mas eu não, eu não giro e nem viro, eu sou.... Marcelooooooo Chiiiiiiispita!!!!”

E quem consegue entender, que entenda!

Fotos: Douglas Fróis

Texto: Leda Samara, aluna do curso de jornalismo da UFPR e repórter da oficina Caranguejo: Jornalismo Impresso.

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