sexta-feira, 6 de março de 2009

Respire Cultura!

video
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Esse video foi exibido ontem pela primeira vez na Aula Magna que aconteceu no Teatro da Reitoria. A idéia da criação foi fazer algo que chamasse a atenção dos jovens. Assim ele começa com um "tapa na orelha", com o solo alucinante da música Chico Bumba, da banda Zirigdun Pfóin, uma das finalistas e premiada com Menção Honrosa no 3º Festival da Canção da UFPR, realizado em novembro de 1997. Escolhemos esse trecho pois ele é Rock 'N Roll e ao mesmo tempo tem também um tempero brasileiro, com um batuque que lembra muito a batida do triângulo. As fotos, todas de Douglas Fróis (com exceção da primeira foto que é de Manuela Salazar), foram escolhidas com o critério de serem as mais "espetaculares" possíveis, e para o ritmo das imagens buscou-se seguir a música. Enquanto eu editava, lembrei muito do comentário de um professor de cinema que uma vez disse que "para criar ação em uma produção audiovisual, basta por muita luz piscando e bastante pancada no ouvido" (!).

Como não é todo mundo que é fã de solos de guitarra, na seqüência foi exibida na íntegra a música Mais!, de Rafael Rosa, com melodia suave, no melhor estilo MPB, ao som calmo de voz, flauta e violão. Essa canção foi a segunda colocada na 1ª edição do Festival da Canção, em novembro de 1995. Foi escolhida para esse vídeo principalmente por causa da letra. A música é uma brincadeira inteligente sobre os "sonhos arrivistas" dos acadêmicos, e até mesmo de um público mais amplo que nunca passou perto da universidade. Através dessa música, dá até para entender como funciona o "carreirismo" de muitos professores universitários. Ela faz homenagem à Marilena Chauí e ao Macaco Simão. Queriamos uma música que as pessoas não se incomodassem em acompanhar a projeção, podendo ir se sentando nas poltronas do teatro enquanto o video rolava passando informações atuais sobre os eventos da Coordenadoria de Cultura.

Leia a letra, na íntegra:

Mais! - Rafael Rosa

"Ai, quem me dera se um dia
depois de formado
eu tivesse porta aberta
pra fazer um mestrado
Então ia transferido pra uma outra cidade
dando aula de assistente em universidade
vou ser convidado em toda vernissagem
alunos até me prestando vassalagem
Como no interior falta o que por no jornal
eu escrevo alguns artigos no caderno cultural

Ai, quem me dera se um dia

depois do mestrado
pelo nome de doutor
chegasse a ser chamado
Contratado adjunto não é nada mal
numa faculdade que é de fama nacional
indicado pra banca, fazendo extensão
Ser apresentado ao vivo a cada figurão!
Passando pelo rito dos iniciados
Tendo um texto na revista ilustrada publicado

Ai, quem me dera se um dia
bem acomodado
com um pós-doutoramento
eu fosse premiado
então ia realizar um sonho de criança:
ir pra Sorbonne, a Disneylândia intelectual da França
De efetivo em gabinete bibliotecado
Na Folha de São Paulo, no MAIS! comentado
Ter pela companhia um livro em todas as letras
mas satirizado no Jornal do Planeta

Brasil é isso aí
do Oiapoque ao Chauí
Oh! Marilena brasileira, diz aí
que Curitiba tem macaco
pra fazer o povo rir

Ai, quem me dera se um dia
Eu, já renomado
para o cargo de ministro
fosse indicado
Ia até aparecer no Jornal Nacional
e aumentar minha fama de intelectual
conhecendo Secretários e Chefes de Estado
e para a presidência já ser bem cotado
Deixar a majestade na sociologia
Pra nunca mais voltar pras aulas de academia

Brasil, é isso aí
do Oiapoque ao Chauí
Oh! Marilena, brasileira, diz aí
que o Brasil tá precisando
ter um Sartre por aqui".

Violão e voz: Rafael Rosa
Pandeiro, Tamborim, Coro: Ricardo Borges (o Rosinha)
Guitarra, Violão, solo, Cavaquinho: Eduardo
Baixo: Tuca
Flauta: Ana Paula Peters
Piano: Therciano

Um comentário:

Rafael Rosa Hagemeyer disse...

Engraçado, nunca imaginei que essa música fosse um dia ser usada num vídeo "institucional"... :D
Ao assistir esse "clipe", percebi como existe uma certa "desvalorização" das atividades de extensão na vida acadêmica. A minha música mencionava muitas atividades de pesquisa, relacionava publicação e fama, mas a extensão aparecia só uma vez, e meio de passagem. A beleza das imagens fizeram um contraste bonito mostrando a riqueza desse universo da extensão, que cerca a vida acadêmica e às vezes passa despercebida por alunos e professores.
O próprio sentido do título, que fazia uma ironia com o caderno cultural da Folha de São Paulo aos domingos, parece ter mudado no clipe. A mensagem é que universidade não é só ensino e pesquisa, que há espaço para muito Mais!